#PourteOuverte

Acho que aqueles que me conhecem sabem da minha maior fraqueza, e da minha maior qualidade: sou completamente ingênua e inocente. Eu sempre acredito antes de duvidar. Nunca vejo as intenções que realmente podem estar por trás das ações de uma pessoa. Confio antes de questionar. Ao longo dos anos, aposto que muitos ficaram até com pena de tamanha ingenuidade e preferiram não me usar tanto. Já outros usaram, gostaram e continuaram a me usar con gusto.

Mas o que se perde ao usar o outro, e o que se ganha ao acreditar no outro são coisas bem diferentes. Você preserva a sua integridade ao se dar, mas precisa continuamente vestir uma carapaça para tirar algo de alguém e tentar se proteger. Ver que tantos abriram as portas no meio da noite em meio ao caos e medo me faz acreditar que talvez seja possível vivermos como um só povo. Entāo ainda por cima, sou Poliana?! Não. No fundo, no fundo, eu sei que leis da física são aplicáveis à tudo: para toda ação há uma reação. Não há como anos e anos de guerra acontecer, e continuarmos desligando a televisão, e pulando página de jornal e ignorando que a cavalaria das cruzadas está a todo vapor na rede, no rádio e na terra.

A marcha começou no Iraque, continua no Afeganistão, foi pra Síria e Iran talvez. Agora, decapitação faz parte do nosso vocabulário digital. Guilhotina até parece tecnologia avançada. 14 anos de guerra fazem isto. Há uma população específica sendo aniquilada entra dia, sai dia, e gerações inteiras vão se perdendo no oriente-médio. Definitivamente as gerações presentes e provavelmente, as futuras. Não. Vamos ser menos abstratos, pelo amor de Deus! Gerações coisa nenhuma. C-r-i-a-n-ç-a-s. São crianças, cara! Seja em Paris ou em Damasco. São todas crianças. Estaremos germinando cavalarias para cruzadas infindáveis se continuarmos a trancar porta à chave para elas. Fazer cruzadas em 1101 D.C. tem consequências bem diferentes do que no mundo globalizado, urbanizado e conectado de hoje. A onda humana está transbordando lá na Turquia, Líbano e Egito, mas a inundação vai acabar mesmo é lá na Alemanha. Todo imigrante vira farinha do mesmo saco: Iraquiano, Iraniano, Afegão = muçulmano, islâmico, militante do ISIS. Só estamos nos esquecendo que foram ataques como estes que os fizeram deixar seus países e virar refugiados pra início de conversa. Eles como ninguém conhecem o nível de barbárie que pode ser usada contra alguém em nome de Deus e Religião.

O que me faz lembrar porque estou lhe aborrecendo numa manhã de Sábado falando de inocência, ingenuidade e da Poliana que sou… Desde Domingo estou com a revista do New York Times na minha cabeceira. Lendo e relendo a matéria de capa sobre refugiados. Nada como 6 dias depois para tornar uma matéria ainda mais relevante…. E não foi à toa que New York Times lançou esta matéria como a primeira na história do jornal a usar não só texto, fotografias e vídeo mas um filme em realidade-virtual. Eu acredito que se todos lessem a página 48 desta matéria o mundo tomaria coragem de se unir e proteger uns aos outros, abrir as nossas portas e fazer um #PourteOuverte mundial. Aí está minha inocência escancarada. Acreditar que fotos como as da Lynsey Addario e textos como o de Susan Dominus sobre uma menina chamada Hana podem salvar o mundo. Pare neste instante de ler #Paris hashtags no Twitter, procurar por fotos de quem estava dentro do #LeBataclan no Instagram, ou olhar vídeos da Boulevard Voltaire no Periscope, e leiam a página 48 desta matéria. Paz e solidariedade podem ser criadas tão simples assim.

Jennifer Cabral, AKA Poliana.

Para ler Matéria “The Displaced” no New York Times visite o link http://www.nytimes.com/2015/11/08/magazine/the-displaced-hana.html

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